Por que o Jornal Sexta tornou-se um patrimônio de Viamão

O mundo em 2010 era bem diferente do mundo de 2021. Nós – eu e com certeza você que está lendo – somos bem diferentes do que éramos.

Em termos históricos, dez anos não representam muita coisa. A última década, no entanto, foi excepcional: todo mundo comprou smartphone; tivemos uma pandemia – a primeira em um século. Politicamente, o Brasil é outro país – aliás, Viamão é outra cidade.

Eu lembro quando lançamos o Jornal Sexta, precisamente há onze anos atrás. Era um jornal impresso, formato que fazia todo sentido na época.

Quando o jornal deixou de circular – e depois a versão online foi caindo também no esquecimento – eu fiquei triste porque sempre tive a impressão de que o Sexta é um patrimônio de Viamão. Talvez não um patrimônio cultural, mas uma parte da vida da cidade.

O jornal marcou época em Viamão. Afinal, em um município controlado por potestades que levam-se muito a sério e acham-se intocáveis, o jornalismo investigativo, o humor e a ousadia são bombas incendiárias.

O “pasquim mequetrefe” teve, portanto, seu papel histórico.

É emblemático que o jornal esteja voltando ao ar agora, sob a forma de um site projetado para “conversar” com as redes sociais do momento. É a volta de algo conhecido, mas não parado no tempo.

“Ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontra as mesmas águas”, ensinava Heráclito.

Viamão mudou muito nesses anos todos.

Quando o Sexta surgiu, no começo da década passada, foi para romper com a hegemonia de discurso e de espaço que existia então. Nasceu porque, se não nascesse, a cidade talvez jamais tirasse alguns esqueletos do armário e jamais saísse dos impasses da época.

Em resumo, o Sexta tomou de assalto a cidade em 2010 porque era um jornal necessário para aquele momento.

Talvez seja ainda mais necessário agora.

Jornalista, servidor público federal, escritor e videomaker.