Por que os EUA NÃO podem derrubar Vladimir Putin

Vladimir Putin anda frequentando os noticiários ultimamente. Normalmente, retratado como um vilão, antidemocrático, machista e perigoso, ele tem a missão ingrata de comandar um país que, mais uma vez, vê-se ameaçado por grandes potências ocidentais.

A Rússia tem sido vítima de uma ofensiva da OTAN – a aliança militar liderada pelos EUA – que agora tenta estabelecer bases e enviar tropas para a Ucrânia. A OTAN tem investido pesado em ex-repúblicas soviéticas, numa tentativa de cercar os russos.

Em meio a tudo isso, a imprensa internacional tenta nos vender a imagem de um Putin ditador, malvadão, opressor e que só se reelege porque prende seus adversários.


A hegemonia do Rússia Unida

O partido que dá suporte ao governo Putin chama-se “Rússia Unida”. Este partido tem vencido não apenas as eleições presidenciais mas também as parlamentares: em 2003, conquistou 37% do total de cadeiras da Duma. Em 2007, foram 64%. Em 2011 foram 49% e em 2016 54%.

Nas últimas eleições, agora em 2021, o partido botou 50% dos deputados do Legislativo russo.


Existe uma alternativa a Putin?

A mídia ocidental gosta de citar coletivos de protesto, candidatos avulsos e manifestantes. Mas “esquece” de citar a alternativa eleitoralmente viável ao hegemônico “Rússia Unida”.

Dá pra entender esse silêncio, vindo de uma imprensa obcecada em construir “terceiras vias” centristas.

O motivo – e isso, eles não querem que ninguém saiba – é que o único partido forte da oposição (sempre numa faixa de 12% a 22% das cadeira da Duma) é justamente o Partido Comunista da Federação Russa.


A volta da União Soviética?

O Partido Comunista russo atual advoga uma visão que eles chamam de “socialismo do século 21”, com a nacionalização das grandes indústrias e propriedades, porém mantendo a liberdade de mercado para pequenos empreendimentos, que garantiriam um dinamismo da economia “na ponta”.

Esse “socialismo do século 21” é, para quem entende de História, basicamente a Nova Política Econômica dos primeiros anos pós-guerra civil, implementada por Vladimir Lenin nos anos 1920.

Os “novos” comunistas russos falam também em buscar a “reaproximação com as nações vizinhas, para formar uma coalizão de Estados” – ou seja, remontar a União Soviética.


Concluindo

Vladimir Putin está no poder e deverá permanecer no poder. Em parte, porque o apoio dado a ele dentro da própria Rússia é gigantesco. E também porque, se ele cair, vai ser um desastre para a União Européia e para os Estados Unidos.

Afinal de contas, o rearranjo do poder no país será feito por quem detém força política.

Imaginem a decepção que seria para o “beautiful people” europeu e americano, se conseguissem enfraquecer o Rússia Unida só para entregar o poder aos comunistas russos.

Comunistas esses – lembrando – que não têm nada a ver com as mililtadas identitárias “lacradoras” adoradas pela grande mídia e pela “esquerda” latino-americana: é uma turma “raiz”, que critica o atual presidente por achá-lo “mole” demais, e que cultua um aberto saudosismo pelo governo Stalin.

Jornalista, servidor público federal, escritor e videomaker.