Coisas que aprendi sobre liderar pessoas (o porque)

A vantagem de se caminhar na estrada da vida é o aprendizado que se acumula. Eu tenho caminhado muito. E já faz algum tempo que comecei a exercer funções de liderança, uma experiência que já me permite fazer algumas reflexões sobre o tema.

Desde cedo somos acostumados com a ideia de que é normal ter ambição e querer comandar equipes. Não almejar algo assim é “acomodar-se”, é “viver zona de conforto”, quase um pecado capital. Então, para muitos, a ascensão é uma obrigação moral.

A maior parte das pessoas vê a ascensão hierárquica como uma espécie de prêmio – um troféu que se ganha pela astúcia ou como uma recompensa pelo esforço. Muitas organizações, aliás, adotam e incentivam essa lógica.

Eu discordo dela completamente. Ganhar uma promoção não é como subir ao pódio após uma corrida.

Esse tipo de mentalidade é uma arapuca disfarçada de pote de ouro no final do arco-íris.

Acreditar que, uma vez sentado na cadeira mais alta ao fundo da sala, você será mais feliz, que a vida será mais fácil e que tudo necessariamente será melhor é pura ilusão. O crachá de “chefe”, afinal, não é uma medalha – mas pode ser um peso.

Eu não vejo sentido algum para alguém buscar ascender a funções de liderança sem algum tipo de visão.

Essa visão pode ser o desejo de servir de exemplo, timoneiro e inspiração para os colegas. Um jeito de fazer as coisas, seguindo certos valores ou princípios. Ou pode ser algum projeto – algo que você visualiza claramente e que deseja implementar na realidade.

Como um pirata que descobre o mapa do tesouro e deseja assumir o posto de capitão, não pelo desejo mesquinho de dar ordens aos marujos, mas porque precisa de um navio e uma tripulação para lançar-se ao mar.

Ou como o diretor que tem um filme incrível rodando pronto dentro de sua cabeça e que precisa de um elenco para levá-lo da própria imaginação para a tela do cinema.

Em resumo, como alguém que precisa de uma equipe não porque deseja “ser chefe de pessoas” e sim porque precisa dessa gente para ir a algum lugar, para construir alguma coisa – e está disposto a valorizar quem embarcar na aventura.

Eu “demorei” bastante tempo para ser nomeado para funções de comando. Há pessoas que tornam-se chefes de alguma coisa aos vinte anos, outros aos trinta. Eu só fui fazer isso chegando perto dos quarenta. Mas não tive, até hoje, o desprazer de não saber PARA QUE estou sentado nesta cadeira.

Exercer a liderança tendo uma visão é fantástico porque não sobra espaço para mesquinharias.

As habilidades dos colegas (detesto a palavra “subordinados”) deixam de ser uma ameaça, do tipo “será que Fulano, sendo tão inteligente, vai roubar meu lugar?” e são encaradas como um valioso recurso. Os cargos e títulos até perdem importância diante da grandeza da luta que se trava, da bandeira que se agita, dos objetivos que nos servem de horizonte.

Essa, sim, é a “ambição de poder” que vale a pena. Que motiva o espírito, ao invés de massacrar o coração.

Jornalista, servidor público federal, escritor e videomaker.