Moradoras do Beco Roma, na Varzinha, reclamam de falta de ônibus, luz e de más condições das estradas . . .

A reportagem do Jornal SEXTA, conversou com três moradoras que enfrentam essas dificuldades. A região é responsável por fornecer diversos alimentos que abastecem outras áreas de Viamão. Lá, são produzidos leite, soja e arroz. Além disso, outra fonte de renda importante é a pescaria, que tem destaque especial na época da feira do peixe.

Moradores do Beco Roma, na região da Varzinha, zona rural aqui de Viamão, lidam com uma série de transtornos que dificulta a vida de quem mora e veraneia ali. Má conservação de vias, falta de ônibus e quedas constantes de energia elétrica são alguns dos problemas descritos.

A reportagem do Jornal SEXTA, conversou com três moradoras que enfrentam essas dificuldades. A região é responsável por fornecer diversos alimentos que abastecem outras áreas de Viamão. Lá, são produzidos leite, soja e arroz. Além disso, outra fonte de renda importante é a pescaria, que tem destaque especial na época da feira do peixe da cidade.

A dona de casa Mariana da Silva Moura, 32 anos, acredita que a localidade, por possuir tamanha importância no fornecimento desses produtos, deveria ter um acesso mais adequado. Ela faz parte de uma das 70 famílias de pescadores que vivem no Beco Roma, próximo à Estrada da Varzinha.
– As más condições da via dificultam o acesso tanto de moradores quanto de quem é responsável pelo transporte dos produtos – conta Mariana.

A pescadora Lidiana Ferreira, 39 anos, mora no Beco Roma há 20 anos. Ela lembra da ocasião em que sua filha ficou esperando durante horas dentro de um ônibus escolar que atolou:

– Foi em uma área que não tinha sinal de celular. As crianças passaram um tempão esperando o socorro.

Outra demanda apresentada pelas moradoras é sobre a frequência constante das quedas de energia. Durante a virada de Ano-Novo, de 2018 para 2019, explica Mariana, a comunidade ficou cinco dias sem luz, o que fez com que os pescadores perdessem parte do estoque de peixe ou tivessem que vender o produto por um preço muito abaixo do adequado para evitar um prejuízo maior.

– A falta de luz ocorre em todas as estações do ano, mas, no verão, se intensifica – detalha a dona de casa.

Uma alternativa para alguns moradores é a utilização de geradores. No entanto, sua manutenção é cara e, por vezes, restritiva. Moradores também relatam problemas na iluminação pública: postes de luz que não funcionam.

– O sentimento é de indignação. A comunidade paga os impostos, mas é como se você não existisse. A Prefeitura não faz nada. Nós somos uma comunidade invisível, que produz tanto para o município! Só existimos em época de eleição, quando aparece algum candidato – desabafa a vendedora Simone Villanova, 53 anos, moradora do local há nove anos.

Transporte

A disponibilidade de ônibus também é uma reivindicação de quem mora no local. Mariana conta que, até seus 12 anos, havia transporte duas vezes por semana: nas segundas e nas sextas-feiras. Em outra época, era de segunda a sexta. Recentemente, havia ônibus em três horários por dia, e esses veículos iam até a entrada do Beco Roma, onde os moradores da comunidade embarcavam. Mas, desde o início da pandemia, os horários foram retirados.

Após dois anos, os moradores seguem sem transporte público na localidade. Simone conta que foi até a empresa responsável pelo transporte coletivo algumas vezes durante esse período. Mas, segundo ela, a explicação que recebeu foi de que a companhia não teria interesse em voltar a atender a região porque o serviço gerava muita despesa.

Segundo as moradoras, a parada de ônibus mais próxima fica a sete quilômetros do local. Assim, quem mora no Beco Roma precisa optar por andar a pé, de carro ou, se não tiver um, depender do auxílio de vizinhos e conhecidos que estejam dispostos a dar carona.

– Tem até gente que vai a cavalo. O pessoal se vira como pode – destaca Simone.

Oportunidades

Pensando no turismo da região, há um camping particular com acesso para a Praia da Varzinha, conta Mariana. Pela beleza do local, o potencial é enorme, ela pensa. No entanto, acredita que a falta de estrutura pública adequada acaba afastando os visitantes. Além disso, há a desmotivação dos comerciantes, que temem perder mercadorias perecíveis, como sorvetes, pela constante falta de luz.

Apesar de ter crescido na região, a dona de casa pretende se mudar em breve para que as filhas tenham a possibilidade de ingressar no ensino superior.

– Tenho filhas adolescentes, que em breve se formarão no Ensino Médio. Sair daqui é a única alternativa para que elas consigam estudar – lamenta Mariana.

CEEE diz: energia está normalizada

Quanto às quedas constantes de energia elétrica relatadas pelas moradoras, a CEEE Equatorial informou que as últimas ocorrências de interrupção de energia registradas para o Beco Roma foram solucionadas. “Os desligamentos são inerentes ao sistema elétrico e ocasionados, principalmente, pelas últimas tempestades com fortes ventos. No momento, o fornecimento está normalizado, e a empresa trabalha na execução do plano de manutenção para a rede que atende a região”.

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