Lacoste, patrocinadora de ‘Djocovid’, conversará com tenista após polêmica. Contrato gira em torno de U$ 9 milhões (R$ 49,7 milhões na cotação atual) anuais

Dois dias após ser deportado, Novak “Djocovid” continua sentindo os impactos de sua polêmica passagem pela Austrália e de sua imbecilidade.
A Lacoste, marca francesa de roupas que patrocina o tenista, disse que irá entrar em contato com o sérvio o mais rápido possível para “revisar os acontecimentos” que acompanharam o número 1 do mundo na última semana. Ele está fora do Aberto da Austrália após novela judicial por causa de problemas no visto referentes à falta de comprovação de vacinação contra a Covid-19.

“Assim que possível, entraremos em contato com Djokovic para revisar os eventos que acompanharam sua presença na Austrália. Desejamos a todos um excelente torneio e agradecemos aos organizadores por todos os esforços para garantir que o torneio seja realizado em boas condições para jogadores, funcionários e espectadores”, disse a empresa em um comunicado oficial.

A Lacoste é a primeira patrocinadora de Djokovic a romper o silêncio e colocar em xeque o apoio ao tenista. Segundo a imprensa dos Estados Unidos, o contrato entre as partes gira em torno de U$ 9 milhões (R$ 49,7 milhões na cotação atual). O acordo foi firmado em 2017, quando o sérvio abandonou a japonesa Uniclo.

Segundo a revista Forbes, Djokovic faturou em 2021 cerca de US$ 30 milhões (R$ 165,7 milhões) com patrocínios. Entre as outras marcas que apoiam o tenista estão a montadora francesa Peugeot e a empresa de material esportivo Asics.

O comunicado da empresa francesa acontece na esteira de mais uma dor de cabeça para o tenista sérvio. A França aprovou no domingo o passaporte vacinal. Assim, atletas que pretendem competir em solo francês devem apresentar o comprovante de imunização, algo que Djokovic não tem porque se recusa a tomar a vacina contra Covid-19.

É provável, portanto, que o número 1 do mundo não esteja na chave de Roland Garros, o segundo Grand Slam da temporada. Desta forma, a empresa francesa não terá seu maior garoto-propaganda no maior torneio francês do ano, que também é o maior palco de divulgação da marca, em Paris.

O número 1 do mundo desembarcou na Austrália há pouco mais de uma semana e apresentou um atestado médico que o isentaria de tomar a vacina contra a covid-19. O argumento era de que ele já havia sido contaminado pelo vírus em dezembro e se recuperado, mas o governo australiano não reconheceu o documento.

O sérvio foi detido em um hotel de imigração e assim começou uma saga judicial, encerrada no último domingo, quando o tribunal decidiu por unanimidade pela deportação do atleta. A decisão é definitiva e não há mais possibilidade de recurso. Mesmo se houvesse, não haveria mais chances de Djokovic disputar o Aberto da Austrália, por falta de tempo.

Perda de patrocínio e impacto esportivo

Djokovic não é o primeiro esportista a ter problemas com patrocinadores pela postura negacionista na pandemia. O astro da NFL (Liga de Futebol Americano) Aaron Rodgers, quarterback do Green Bay Packers, teve seu contrato com a organização de saúde Prevea Health cancelado após nove anos depois de declarar que não havia se vacinado.

No programa Pat McAfee Show, Rodgers alegou ser alérgico a um dos componentes do imunizantes da Pfizer e da Moderna, além de relacionar erroneamente as vacinas contra a covid-19 com a possibilidade de infertilidade. No entanto, o quarterback não sentiu o impacto esportivo de seu posicionamento, atuando normalmente na NFL.

Outra notória figura antivacina do esporte americano, o armador Kyrie Irving, do Brooklyn Nets, viveu situação diferente com a Nike, com quem possui contrato no valor de US$ 11 milhões (R$ 60,9 milhões). A marca, principal patrocinadora do jogador, preferiu se calar sobre os relutantes posicionamentos negacionistas do atleta. Em contrapartida, a marca exige a vacina de todos os seus funcionários em escritórios nos Estados Unidos.

Por outro lado, Irving viveu situação parecida com a de Djokovic na questão esportiva, perdendo o início da temporada regular da NBA após ser afastado pelos Nets por não ter se vacinado.

Kelly Slater, lenda do surfe americano, é outro que não pôde competir por não concordar com a vacinação contra a covid-19. Em dezembro, o surfista 11 vezes campeão mundial ficou fora da etapa de Haleiwa, a última da Challenger Series, no Havaí, onde a imunização é exigida.

Diferentemente de Djokovic, a quem já demonstrou apoio, Slater possui apenas um acordo com a Breitling, marca suíça de relógios de luxo que não se posicionou sobre as opiniões do surfista. O americano carrega consigo também o nome da Outerknown, marca própria de roupas sustentáveis lançada em 2015.

Diretor do Jornal Sexta, nascido e criado em Viamão.