O choro do gado ruralista – ué, o agro não era pop, tech, tudo?

A MISÉRIA NAS RUAS

É impressionante o número de miseráveis na ruas de Porto Alegre. Nas sinaleiras há uma disputa por esmolas e vendas de qualquer coisa que possa render um dinheiro para matar a fome.

Velhos, crianças, mulheres com crianças no colo num sol escaldante tentando escapar da morte pela fome. São pessoas tristes, desanimadas e sem esperança.

As sinaleiras são o termômetro que mostra que a situação real do povo mais pobre está terrível no Brasil.


CIDADE DE LONA EM SÃO PAULO

A miséria atinge todos os Estados. Em São Paulo, famílias inteiras foram morar em barracas porque não tiveram mais condições de pagar aluguel. São milhares de barracas espalhadas por toda cidade. Pelo menos nas barracas as pessoas ficam mais abrigadas, principalmente as crianças.

O Deputado Guilherme Boulos, do PSOL, com certeza iria resolver o problema dos SEM TETO paulista se fosse eleito governador de São Paulo. Moradia é uma de suas principais bandeiras. O lar é a base de tudo. As famílias podem até passar por dificuldades mas a moradia é o eixo principal de suas vidas.


A CHORADEIRA DO GADO

A turminha do agro negócio andava toda orgulhosa, se achando auto suficiente, falando aos quatro ventos que o agro negócio é que sustenta o Brasil.

Com a estiagem que atinge todo Estado mudaram de humor rapidamente.

Terrivelmente bolsonaristas, muitos deles botaram até dinheiro fora com outdoors elogiando o milico. Agora estão em pé de guerra reclamando por ajuda do governo estadual e federal para salvar seus negócios.

O Bolsonaro vai dar uma banana para eles. Afinal, eles não são liberais, não são contra o estado? Então que se virem, ou joguem tudo nas mãos de deus.


O GADO VAI COMER COCÔ DE NOVO

Vejam que pepino está o milico terrivelmente imbecil. As pesquisas mostram que ele empacou nos 25% das intenções de voto, que é o voto do gado fanático e ignorante.

Este percentual garante, por enquanto, o milico no segundo turno. Só que isto não é suficiente para ele vencer o segundo turno. A não ser que ele mude radicalmente seu comportamento, que até agora só tem aumentado sua rejeição.

Seu guru, Donald Trump, já mudou. Agora está defendendo a vacina. É o Zé Gotinha americano.

Tenho certeza que o gado não vai abandonar o milico e vai continuar comendo cocô. Só que o “mito” vai precisar mudar radicalmente seus modos se quiser ter alguma chance de reeleição.

Por exemplo:

Talvez tomando a vacina (coronavac) e pedindo desculpas por todas as bobagens que ele já falou até agora.

Falar que agora gosta de negros, homossexuais, índios e mulheres poderia diminuir um pouco sua rejeição.

Parar de destruir o meio ambiente também ajudaria muito.

Romper com o Centrão e se filiar ao PC do B? Quem sabe.

Poderia inclusive trocar os evangélicos pelos cultos afros.

E principalmente parar de mentir.


R A P I D I N H A S

1- MACONHEIRO BOLSONARISTA – Se você acha que não existe maconheiro bolsonarista está enganado. As faculdades, principalmente as públicas, estão cheias de estudantes maconheiros, e de direita. Eles fumam escondidos da polícia, da família reacionária e do milico que é terrivelmente careta.

2- ROQUEIRO BOLSONARISTA – Não deve existir. O gado bolsonarista não gosta de rock. Eles gostam é de música sertaneja.

3- NEGRO BOLSONARISTA – Tem um que é o símbolo da submissão à cultura branca. É aquele escroto desprezível, presidente da Zumbi dos Palmares, Sérgio Camargo.

4- ÍNDIO BOLSONARISTA – Existem, mas só os caciques, aqueles que fazem garimpo ilegal e arrendam as terras para os brancos plantarem soja e criar gado. A grana eles metem no bolso.

5- GAY BOLSONARISTA – Tem poucos, mas tem. São aqueles gays masoquistas que gostam de apanhar e de serem discriminados e humilhados. O Jair detesta gays.

6- PROFESSOR BOLSONARISTA – É muito triste e inexplicável falar isso, mas os professores que deveriam ser mestres e faróis para orientar o povo são uma decepção. A maioria, felizmente, não é de direita. Mas muitos votam em candidatos de direita.

Bolsonaro foi um dos grandes beneficiados com votos de professores. Pior que não estou falando dos professores de escolas privadas, estou falando de professores de escolas públicas, e também de universidades públicas.


ENTRE DEUS E A GRANA

Na última coluna eu apostei que o tenista sérvio Novak Djokovic, agora chamado de DJO COVID, deportado da Austrália por não estar vacinado e portanto não poder disputar o torneio aberto daquele país, ia acabar se vacinando.

Seu biógrafo e conselheiro deixou escapar que ele já se vacinou. Tinha que optar entre seguir negacionista com seus princípios religiosos, ou se vacinar e poder continuar jogando, e ganhando muitos milhões, pois a maioria dos países exigem a vacinação dos atletas.

É sempre bem simples resolver as coisas quando se trata de dinheiro. Entre deus e a grana, quem tem a preferência?

Hélio Ortiz é professor, produtor cultural, e foi Secretário Municipal da Cultura e Esporte de Viamão durante os governos do PT.