Lembra quando o Brasil parecia que ia dar certo?

Por que o Brasil fica sempre para trás? O que nos prende ao atraso? Nosso país tem uma riqueza natural gigante, e já teve seus momentos de crescimento acelerado. Então, por que ainda estamos aqui, nesse estado?

A resposta curta é: por burrice, incompetência, má gestão.

A história dos grandes períodos de crescimento do Brasil é basicamente a história da imprudência.

Tivemos surtos de aparente desenvolvimento sempre surfando em ondas momentâneas e jamais nestes períodos quaisquer governantes pensaram a longo prazo, procurando transformar o “boom” financeiro momentâneo em base para um modelo mais justo, competitivo e sustentável do ponto de vista econômico.



Getúlio Vargas foi a grande exceção. No geral, gastamos nossos “bilhetes premiados” de forma inconsequente.

Um bom exemplo: há 15 anos atrás, estávamos vivendo uma era dourada, empurrada pelas commodities e pela estabilidade pós-ajustes na primeira década do Plano Real. O governo pôde fazer distribuição de renda, as classes D e até E entraram para o mercado consumidor…

E o que os grandes empresários fizeram? Começaram a expandir produção como se o “boom” do consumo fosse durar para sempre. Os bancos e o Estado iam atrás, ajudando todo mundo a continuar consumindo na base do endividamento.

Ora, era CLARO que a bolha iria estourar. Como estouraram (na nossa cara) o Milagre Econômico dos militares e nossa curta maré de prosperidade pós-Segunda Guerra.



Esse é o ciclo: algo acontece (normalmente um evento econômico grande no cenário internacional), o Brasil entra numa era de bonança, aí todo mundo pensa “agora vai!” – e gasta-se a grande chance de forma populista. Em seguida, temos uma recessão. E o ciclo recomeça até outra grande chance surgir.

Em momento algum, nas horas boas, alguém pensa em aproveitar a “gordura” econômica e a legitimidade popular que um governo tem quando o país vai bem para ENCARAR DE FRENTE o problema da nossa regressividade tributária, para fazer reformas estruturantes, para questionar as bases do atraso.

Nada. Preferem distribuir jujubas. Importar badulaques até que não sobre nada da indústria nacional.



Economia é coisa séria, é coisa para se pensar no longuíssimo prazo. Mas acaba sendo encarada sempre – e especialmente em épocas de bonança – com uma mentalidade imediatista. Para ser mais exato, é pensada só até a próxima eleição.

Nos anos 90, vimos o Real sendo mantido em paridade com o Dólar de forma artificial, à base de queima das reservas, exatamente até a semana das eleições de 1998.

mediatismo no Brasil não tem cor partidária nem ideológica. É simplesmente o modus operandi dos “intelientinhos” que “pensam” nossa economia sempre que conseguimos sair do buraco e alguém assume o governo com os cofres cheios.

Escritor, jornalista, videomaker e servidor público. Autor de "Política para Iniciantes" de outros livros. Às vezes, assusta as pessoas por falar o que pensa. É o profeta que uma geração alienada pelo TikTok precisava. Ainda será Presidente do Brasil (ou não).