Reprodução do histórico barco usado por Giuseppe Garibaldi faz passeios pelo Guaíba

De Camaquã, o barco foi levado ao Arroio Velhaco, em Arambaré, onde permaneceu de fevereiro a junho deste ano. Ali os ajustes finais foram feitos para seguir viagem a Tapes, trecho no qual ocorreu a primeira velejada do projeto. O trajeto seguiu para Itapuã, aqui em Viamão, Barra do Ribeiro e, por fim, ao Clube Veleiros do Sul, onde o Seival estava desde então . . .

Frequentadores da orla do Guaíba, em Porto Alegre, tiveram um encontro com parte da história do Rio Grande do Sul no último domingo (10). Isso porque o barco Seival, uma reprodução da embarcação usada pelo italiano Giuseppe Garibaldi na Revolução Farroupilha, fez dois passeios durante a manhã e à tarde.

O barco é um projeto realizado pelo professor de educação física Antônio Rodrigues, 59 anos. Foram duas saídas do Clube Veleiros do Sul, na zona sul da Capital. A primeira foi curta, pois o vento estava fraco e poucos foram os momentos em que foi possível usar apenas as velas no deslocamento. Cerca de 20 pessoas que ajudaram no projeto estavam no passeio. A segunda saída foi mais longe: contornou a Orla, passou pela Usina do Gasômetro e chegou ao Cais Embarcadero, em um trajeto de cerca de 10 quilômetros, com tripulação de 17 pessoas. Depois, o barco retornou ao clube.

— O passeio foi muito bom. Muita gente estava filmando, os outros barcos nos saudavam, a receptividade foi muito boa. É uma sensação de muita satisfação — diz Rodrigues.

O barco original fez parte de um episódio importante da Revolução Farroupilha: a tomada de Laguna, no litoral de Santa Catarina, feita por separatistas. A construção da embarcação começou em um estaleiro improvisado na antiga sede dos bombeiros de Camaquã, no centro-sul do Estado, em 2019. O trabalho terminou em dezembro de 2021.

De Camaquã, o barco foi levado ao Arroio Velhaco, em Arambaré, onde permaneceu de fevereiro a junho deste ano. Ali os ajustes finais foram feitos para seguir viagem a Tapes, trecho no qual ocorreu a primeira velejada do projeto. O trajeto seguiu para Itapuã, aqui em Viamão, Barra do Ribeiro e, por fim, ao Clube Veleiros do Sul, onde o Seival estava desde então.

A reprodução preserva as dimensões descritas em registros históricos: 15 metros de comprimento e 12 de altura. A estimativa é que o barco tenha custado R$ 600 mil, arrecadados pela Associação Amigos do Seival .

— Agora vamos fazer o trabalho para o qual ele foi construído, que é trabalhar com a educação ambiental e a história, sensibilizar para os cuidados que temos que ter com a água e botar a imaginação das crianças para funcionar — diz Antônio Rodrigues.

A embarcação não será usada para passeio com estudantes. A logística, o custo e o tempo para preparar cada saída inviabilizam a ideia, de acordo com o criador do projeto. Também não será destinada para fins comerciais. Assim, o foco é que o barco seja um espaço para visitação e eventos, uma opção fora de sala de aula para estudantes de escolas e faculdades do Estado.

A embarcação ficará até setembro no Clube Veleiros do Sul, quando participará da 51ª Regata Seival. Depois, a ideia é seguir em viagem de Rio Grande, no sul do Estado, até Laguna, no litoral catarinense.

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